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09 de fevereiro de 2026

Crescer sem planejar a sucessão é um risco para multifranqueados

Crescer é o objetivo de todo franqueado e multifranqueado. Mas, à medida que a operação ganha escala, é preciso responder a uma pergunta inevitável: o negócio funciona sem você no centro de todas as decisões? Crescimento sustentável e sucessão não podem ser tratados como assuntos separados. E vale lembrar que sucessão não é somente para negócios familiares! Envolve qualquer tipo de “passagem de bastão".

– PARA LIDERANÇA

Abrir novas unidades, aumentar o faturamento e expandir território são temas que costumam ocupar o centro da agenda de franqueados e multifranqueados. Já a sucessão — quem vai liderar a empresa amanhã, como o negócio irá funcionar sem o fundador no centro de tudo — muitas vezes fica para “um outro momento”.

O problema é que separar crescimento de sucessão cria fragilidades que aparecem justamente quando a operação fica maior.

As reflexões a seguir foram publicadas pelo time organizador da Multi-Unit Franchising Conference (MUFC), evento anual realizado em Las Vegas, referência global para quem opera múltiplas unidades de franquia. Todos os anos, a CommUnit e a agência de comunicação MD levam um grupo de franqueados brasileiros para vivenciar esse conteúdo de perto — e o tema vem ganhando cada vez mais relevância.

Crescimento inteligente inclui sucessão — desde já

Os grupos de franquias mais bem-sucedidos não crescem apenas em número de lojas. Eles crescem em capacidade de liderança, valor de mercado e independência do fundador.

Quando a estratégia de expansão já considera a continuidade do negócio, o resultado é uma operação mais fácil de gerir, mais simples de avaliar e muito mais preparada para uma transição futura — seja para herdeiros, executivos-chave ou um comprador estratégico.

Só que, na prática, muitos multifranqueados crescem mais rápido do que sua estrutura de liderança comporta. Novas unidades são abertas, a complexidade aumenta, mas as decisões seguem excessivamente centralizadas no dono. Com o tempo, isso trava tanto o crescimento quanto as opções de sucessão.

Integrar crescimento e sucessão ajuda a:

  • Atrair e reter bons gestores
  • Criar profundidade de liderança entre unidades
  • Reduzir a dependência do fundador
  • Aumentar o valuation e a confiança de investidores
  • Permitir que futuros líderes assumam responsabilidades antes da transição formal

4 estratégias de crescimento que fortalecem a sucessão

1. Delegar não é perder controle — é ganhar escala

Multifranqueados que permanecem envolvidos em cada decisão operacional acabam se tornando o principal gargalo do crescimento. Expandir exige sair do microgerenciamento e confiar em líderes capazes de tocar unidades sem supervisão constante.

Isso passa por:

  • Nomear líderes de unidade e regionais com autoridade clara
  • Definir responsabilidades, metas e critérios de decisão
  • Desenvolver líderes para resolver problemas de forma autônoma

Impacto na sucessão: delegar cria profundidade operacional. Quando o dono se afasta, o negócio segue funcionando — sem rupturas.

2. Ser multimarca pode destravar o próximo ciclo de crescimento

Muitos multifranqueados atingem um limite natural dentro de uma única marca. A entrada em marcas complementares, depois de já ter um certo fôlego em uma mesma marca ou segmento, pode gerar novas oportunidades sem sobrecarregar a liderança existente.

A diversificação permite:

  • Criar novos cargos de liderança
  • Testar sucessores em ambientes menos críticos
  • Estruturar diferentes caminhos de gestão e sociedade

Impacto na sucessão: múltiplas marcas trazem flexibilidade. Cada líder pode assumir o papel mais alinhado às suas competências — algo especialmente relevante em grupos familiares.

3. Desenvolver líderes precisa deixar de ser informal

Promoções de colaboradores reativas e aprendizado “no improviso” podem funcionar no início, mas viram risco conforme a rede cresce. Grupos de alta performance estruturam trilhas claras de liderança.

Isso inclui:

  • Caminhos definidos de evolução profissional
  • Investimento em treinamento, mentoria e coaching
  • Avaliação de maturidade antes de promoções
  • Responsabilização por resultado e cultura

Impacto na sucessão: um pipeline de liderança claro reduz conflitos, dá previsibilidade e constrói legitimidade para futuros sucessores — familiares ou não.

4. Planejamento estratégico alinha crescimento e transição

Muitas iniciativas fracassam porque só parte dos stakeholders está alinhada. Planejar estrategicamente é criar clareza sobre onde o negócio quer chegar — e quem lidera cada etapa.

Um bom planejamento responde perguntas como:

  • Como será o negócio em cinco ou dez anos?
  • Quem decide o quê?
  • Quando e como acontecem as transições?
  • O que muda se o cenário mudar?

Impacto na sucessão: alinhamento reduz incertezas. Crescer deixa de complicar o futuro e passa a fortalecê-lo.

Crescer também é preparar o negócio para seguir sem você

Para multifranqueados de alta performance, crescimento é construir uma organização que não depende de uma única pessoa para funcionar.

Quando as estratégias de expansão fortalecem a liderança, clarificam papéis e conectam decisões de hoje com o futuro do negócio, a sucessão deixa de ser um problema — e vira parte natural da evolução da empresa.

Esse é o tipo de conversa que ganha profundidade em ambientes como a Multi-Unit Franchising Conference, onde franqueados de diferentes países compartilham desafios reais, erros e acertos. E é por isso que a CommUnit faz questão de levar franqueados brasileiros para estar onde essas decisões estratégicas estão sendo discutidas.

Hábitos para adotar:

  • Treinar-se para sair do operacional: Faça uma análise honesta da sua agenda. Quanto do seu tempo ainda está preso à rotina de loja? Crescer com visão de sucessão exige reduzir a dependência do dono e preparar líderes para tomar decisões sem você por perto.
  • Desenvolver líderes antes de precisar deles: Não espere a sua saída, uma venda ou crise para formar lideranças. Estruture caminhos claros de crescimento, invista em capacitação e teste gestores em responsabilidades maiores enquanto o risco ainda é controlado.
  • Pensar expansão como arquitetura de gente — não só de lojas: Antes de abrir novas unidades ou marcas, avalie se a sua estrutura de liderança comporta esse crescimento. Escalar sem fortalecer o time aumenta o faturamento, mas fragiliza o negócio no médio prazo.
  • Colocar sucessão na pauta estratégica: Sucessão não é um evento futuro — é um processo contínuo. Inclua o tema nas discussões estratégicas, alinhe expectativas com sócios, familiares e executivos-chave e conecte as decisões de hoje ao legado que você quer construir.

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Autor(a)

Editor CommUnit

Equipe de jornalistas e colaboradores internos da CommUnit

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