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20 de julho de 2026

44 lojas depois, multifranqueado revela o maior desafio para crescer

Abrir uma nova unidade costuma ser motivo de comemoração. Mas existe uma realidade que nem todo empreendedor enxerga no início da jornada: crescimento consome caixa antes de gerar lucro. Para o Radar Franquias de hoje, conversamos com Rodrigo Waughan de Lemos, presidente do Grupo Gérbera_+, que transformou uma única operação em um grupo com 44 unidades. Ele compartilha os aprendizados que moldaram essa trajetória — da importância do capital de giro ao momento em que percebeu que delegar era condição para continuar crescendo.

– PARA EXPANSÃO

Existe uma ideia bastante difundida no senso comum: quanto mais a empresa cresce, mais dinheiro ela gera. Mas quem já abriu a segunda, a terceira ou a décima unidade sabe que a realidade é um pouco diferente. Antes de gerar lucro, o crescimento consome caixa.

E esse é um dos alertas que faz o experiente multifranqueado Rodrigo Waughan de Lemos, presidente do Grupo Gérbera_+. Há quase 23 anos no franchising, ele abriu sua primeira operação em 2003 e hoje lidera um grupo com 44 unidades das marcas O Boticário, Quem Disse, Berenice?, Eudora e O.U.i Paris, além do coworking Share 365.

Ao olhar para trás, Rodrigo não aponta uma grande aquisição nem uma oportunidade de mercado como fator decisivo para o crescimento. Ele fala de disciplina: proteger o caixa, estruturar um backoffice antes que ele se torne indispensável, estudar continuamente e aprender a delegar.

“A pandemia reforçou essa convicção e foi um grande desafio superá-la. Na época, tínhamos 26 operações e, de um dia para o outro, vimos nosso faturamento praticamente zerar. Foi o cuidado com o caixa, aliado a uma estratégia clara e muita disciplina, que nos permitiu superar aquele momento.”

A experiência reforçou um aprendizado que ele considera essencial para qualquer multifranqueado.

“O maior desafio de crescer de forma orgânica é entender que crescimento consome caixa antes de gerar lucro. Por isso, considero essencial atravessar o primeiro ano da operação para conhecer a sazonalidade, planejar o capital de giro e tomar decisões mais assertivas.”

Backoffice não é custo, é investimento

Outro aprendizado veio cedo. Mesmo quando o grupo ainda tinha poucas unidades, Rodrigo percebeu que seria impossível continuar centralizando todas as decisões.

“O back office é fundamental desde o primeiro dia, mesmo que, no início, ele seja extremamente enxuto.”

No começo, a divisão era simples: o pai cuidava do financeiro e Rodrigo respondia pelo compliance (nem se usava este nome na época). Quando o grupo passou de duas para cinco operações, surgiu o primeiro departamento estruturado.

“Foi nesse momento que estruturamos o primeiro departamento formal: o financeiro, porque caixa é o que sustenta qualquer crescimento.”

Depois vieram Gente & Cultura, Marketing e Logística, sempre começando com uma única pessoa e evoluindo conforme o negócio crescia.

Hoje, o Grupo Gérbera_+ conta com 63 colaboradores dedicados exclusivamente ao backoffice.

“Sempre digo que o back office não é custo, é investimento.”

O momento em que a mentalidade muda

Rodrigo acredita que o crescimento da empresa ganhou impulso quando ele próprio compreendeu que experiência e talento não bastam para liderar uma organização cada vez mais complexa.

“Entender que empreender exige estudo contínuo e que liderança não pode depender apenas do talento ou da experiência foi a decisão que mais contribuiu para o meu crescimento”, diz. “Minha formação é jurídica, o que me deu uma base sólida para tomada de decisão e gestão de conflitos, mas percebi que precisava desenvolver novas competências.”

Rodrigo então investiu em formação executiva, participou de diversos programas de formação, visitou empresas com foco em benchmarking e construiu um processo permanente de aprendizado. 

Ao mesmo tempo, percebeu a importância de delegar, deixando de atuar apenas como executor.

“Compreendi que crescimento sustentável exige delegação, estrutura e confiança nas pessoas. Deixei de atuar apenas como executor operacional para assumir um papel cada vez mais estratégico, sem perder a conexão com a realidade da operação.”

Para ele, foi essa mudança de mentalidade que transformou o negócio e permitiu uma expansão consistente e sustentável.

Trabalhar muito não basta

Quando perguntamos qual foi seu maior erro, Rodrigo não fala sobre uma loja mal escolhida ou uma aquisição mal sucedida.

“O maior erro que cometi durante a expansão foi acreditar que uma excelente execução, sozinha, seria suficiente para sustentar o crescimento. No início, éramos muito fortes no operacional, mas tínhamos pouca visão estratégica.”

A mudança aconteceu quando o grupo passou a trabalhar com planejamento estratégico, definição de objetivos de longo prazo, análise das fortalezas e fraquezas internas, e prioridades. “A partir dali, deixamos de apenas trabalhar muito para começar a crescer com direção.” 

Ele deixa um alerta para quem está expandindo: “O principal conselho que dou aos multifranqueados é: não centralizem tudo. Delegar não é perder o controle, é ampliar a capacidade da empresa.”

Mesmo delegando, ele diz, o dono continuará sendo responsável pelos resultados, mas precisa formar líderes e construir uma equipe capaz de executar tão bem quanto ele. “É isso que torna o crescimento escalável e sustentável.”

O conselho para quem quer construir escala

Depois de quase 23 anos no franchising e 44 operações, Rodrigo resume seu aprendizado em poucas linhas.

“Não deixe o crescimento acontecer por acaso. Proteja o caixa, porque ele compra tempo e garante a sobrevivência da empresa. Aprenda a delegar, porque ninguém constrói uma operação de alta escala sozinho. Forme líderes melhores a cada ciclo e tenha coragem de confiar neles.”

E conclui com uma frase que sintetiza sua trajetória.

“E, acima de tudo, construa um planejamento estratégico com excelência na execução. Estratégia sem execução é apenas intenção; execução sem estratégia gera muito esforço e pouco resultado.”

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Hábitos para adotar:

  • Proteja o caixa antes de pensar na próxima unidade: Expansão exige investimento antes de gerar retorno. Planeje o capital de giro considerando a sazonalidade e prepare a operação para atravessar os primeiros meses sem comprometer a saúde financeira.
  • Estruture o backoffice desde cedo: Mesmo que a equipe seja pequena, defina responsabilidades para áreas como financeiro, pessoas e compliance. Um backoffice bem estruturado cria a base para crescer com controle.
  • Estude tanto quanto trabalha: A experiência operacional é importante, mas deixa de ser suficiente à medida que a empresa cresce. Busque formação, faça benchmarking e desenvolva novas competências de liderança.
  • Delegue para que a operação não dependa apenas de você: Centralizar decisões limita o crescimento. Desenvolver líderes e confiar na equipe amplia a capacidade da empresa e permite que você assuma um papel cada vez mais estratégico.

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Autor(a)

Editor CommUnit

Equipe de jornalistas e colaboradores internos da CommUnit

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