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27 de abril de 2026

De CEO a dono de 13 franquias: aprendizados de um multifranqueado

Nesta edição, trazemos a trajetória do americano Mike Davis, que saiu da posição de CEO de uma empresa para empreender e construir um grupo com 13 franquias. Mais do que a história em si, o que vale a leitura são as escolhas por trás dela: presença na operação, disciplina na expansão, cuidado na formação de equipe e clareza de propósito. Se você está em fase de crescimento — ou se sente que sua operação poderia performar melhor — esse é um daqueles conteúdos que podem ajudar a ajustar a rota.

– PARA GESTÃO

Nem todo multifranqueado começa do zero. Alguns chegam ao franchising depois de uma carreira executiva longa, carregando repertório, disciplina e uma visão mais estruturada de negócio. Mas isso, por si só, não garante sucesso na operação.

A trajetória do americano Mike Davis ajuda a entender exatamente esse ponto.

Depois de mais de duas décadas no varejo alimentar — onde foi CFO, COO e, por fim, CEO — ele decidiu empreender. Hoje, opera 13 unidades da Elements Massage nos Estados Unidos, com resultados consistentes: duas de suas unidades figuram há anos entre as melhores de toda a rede, e ele foi reconhecido como Franchisee of the Year pela International Franchise Association em 2024.

No Radar Franquias de hoje, vamos contar como ele construiu esse crescimento, a partir de um depoimento que concedeu à American Franchise Academy (AFA).

Crescimento começa com presença — não com planilha

Um dos aprendizados mais claros da trajetória de Davis é que a operação não se entende a distância.

No início, mesmo com bagagem executiva, Davis fez o que poucos fazem: foi para a linha de frente. Passou meses trabalhando dentro da unidade, acompanhando a operação de ponta a ponta, atendendo clientes, observando equipe, entendendo cada detalhe do funcionamento do negócio.

Ele queria entender o que realmente move o resultado.

Essa lógica vem da sua experiência anterior. Ainda no varejo, ele percebeu que olhar apenas para relatórios financeiros não explicava o que acontecia no dia a dia. Os números mostram o resultado — mas não explicam a causa.

Por isso, desenvolveu uma disciplina que carrega até hoje: antes de analisar indicadores, vá até a operação. Entenda o que está acontecendo de verdade.

Números importam — mas só quando fazem sentido para quem executa

Outro ponto que ele trouxe da sua carreira como executivo é a forma de lidar com indicadores.

Em vez de simplesmente cobrar metas ou apresentar DREs, Davis aprendeu a traduzir números em decisões práticas. Porque, na ponta, a maioria dos times não pensa em margem ou linha de custo — pensa em rotina, atendimento, execução.

A mudança de abordagem é simples, mas impactante: em vez de discutir “o que aconteceu”, ele foca em “o que precisa ser feito”.

Isso exige que o líder entenda profundamente os drivers operacionais por trás dos números — e consiga conectá-los ao dia a dia da equipe.

Escolher a marca certa vai além da rentabilidade

Quando decidiu entrar no franchising, Davis passou mais de um ano avaliando diferentes redes. E aqui aparece uma decisão pouco óbvia: ele não escolheu a marca mais rentável no papel. Ele escolheu aquela que fazia sentido para ele.

Seus critérios eram claros:

  • acreditar genuinamente no produto
  • gerar impacto real na vida das pessoas
  • trabalhar com um tipo de equipe com a qual se identificasse

No caso da Elements Massage, havia um fator adicional: ele já era cliente e conhecia o valor do serviço na prática.

Esse ponto parece subjetivo, mas tem implicações diretas na operação. Porque, ao longo do tempo, é esse alinhamento que sustenta decisões difíceis — especialmente quando crescimento e cultura entram em tensão.

Crescer devagar pode ser mais rápido

Outro aspecto marcante da sua trajetória é o ritmo de expansão.

Davis não cresceu de forma acelerada desde o início. Ele abriu a primeira unidade, consolidou a operação, abriu a segunda, depois adquiriu uma terceira — e assim por diante.

Em alguns momentos, inclusive, comprou unidades com baixo desempenho e fez o turnaround. Uma delas estava entre as piores da rede e, hoje, está entre as melhores.

Esse crescimento gradual foi uma escolha.

Cada nova unidade aumenta a complexidade, e se a estrutura não evolui junto, o crescimento vira risco.

Por isso, ele foi construindo a operação em camadas — testando, ajustando, fortalecendo cultura e processos antes de dar o próximo passo.

O maior erro: contratar rápido demais

Se existe um ponto em que ele admite ter errado no início, foi na contratação.

No começo, acreditava que bastava competência técnica. No caso dele, terapeutas qualificados.

O resultado foi previsível: alta rotatividade, conflitos e uma operação desorganizada.

A virada veio quando ele começou a investigar algo mais profundo: o “porquê” das pessoas.

Passou a conversar individualmente com os profissionais, tentando entender motivações, expectativas e valores. Com o tempo, percebeu que os melhores resultados vinham quando havia alinhamento entre o propósito da empresa e o das pessoas.

Quando a operação cresceu e ele já não conseguia fazer isso pessoalmente, transformou esse aprendizado em processo: treinou seus líderes para identificar esse alinhamento ainda na seleção.

Cultura não se escreve — se pratica

Para Davis, cultura é decisão consistente.

Ele estruturou toda a operação a partir de um “porquê” claro — que orienta desde contratações até remuneração, metas e desenvolvimento de equipe.

E há uma regra simples: quando algo dá errado, quase sempre é porque alguma decisão foi tomada fora desse alinhamento.

Isso aparece, por exemplo, em decisões financeiras. Cortar custos pode parecer correto no curto prazo, mas, se impacta a experiência do cliente ou o engajamento da equipe, o efeito volta em forma de churn — de clientes e de colaboradores.

No fim, o crescimento é consequência

A história de Mike Davis mostra, de forma prática que:

  • presença na operação continua sendo insubstituível
  • números só funcionam quando conectados à prática
  • cultura é construída nas decisões do dia a dia
  • crescimento sustentável exige ritmo e estrutura

Hoje, ao preparar a sucessão do negócio, ele trabalha para garantir que essas mesmas premissas continuem guiando a operação — mesmo sem sua presença direta.

Porque, no fim, esse é o teste mais difícil de qualquer multifranqueado: construir algo que funcione sem depender dele.

Um convite para aprofundar

Vimos temas como esse na Multi-Unit Franchising Conference, em Las Vegas.

Se você não participou da comitiva, fique tranquilo: os aprendizados estão chegando ao Brasil.

A CommUnit realizará um road show com encontros presenciais para compartilhar os principais insights do evento: 

  • São Paulo – 15/4, na sede do Tik Tok – com transmissão on line  
  • Belo Horizonte – 6/5, no Shopping Del Rey
  • Porto Alegre – 7/5, no Sebrae Caldeiras
  • Rio de Janeiro – 12/5, no Leblon Shopping
  • Salvador – 19/5, no Shopping da Bahia

Reserve seu lugar: https://lp.communit.com.br/pos_mufc_2026

Hábitos para adotar:

  • Vá para a operação com intenção, não só para apagar incêndio: Reserve tempo para observar a unidade funcionando, conversar com clientes e equipe e entender o que está por trás dos números. Resultado é consequência de rotina.
  • Traduza indicadores em ações práticas para o time: Evite discutir apenas metas e relatórios. Conecte cada indicador a comportamentos claros que a equipe consegue executar no dia a dia.
  • Contrate por alinhamento, não só por competência técnica: Habilidade você desenvolve. Valores e motivação são mais difíceis de ajustar depois. Estruture seu processo para identificar isso desde o início.
  • Use o “porquê” como filtro de decisão: Antes de qualquer escolha — expansão, corte de custos, mudança de processo — pergunte: isso reforça ou enfraquece a cultura que você quer construir?

Esse foi o Radar Franquias, da CommUnit!

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Autor(a)

Editor CommUnit

Equipe de jornalistas e colaboradores internos da CommUnit

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