
– PARA LIDERANÇA
Crescer no setor do franchising, operando diferentes unidades de franquia, nunca foi apenas uma questão de faturamento, número de lojas ou velocidade de expansão. No dia a dia de quem vive a operação, fica cada vez mais claro que o sucesso real passa por algo menos visível — e muito mais estratégico: pessoas, cultura e liderança consistente.
Essa é a principal mensagem compartilhada por Aaron Holthaus, multifranqueado americano da rede Taco John’s. Ele contou ao time organizador da Multi-Unit Franchising Conference sobre sua trajetória de crescimento construída em família e sem atalhos.
As reflexões ajudam a jogar luz sobre desafios bastante familiares aos franqueados e multifranqueados brasileiros.
Crescer sem atalhos: intenção antes da pressa
É comum ver empreendedores entrarem no franchising com a expectativa de abrir a primeira unidade, recuperar o investimento rapidamente e escalar em sequência. Na prática, o crescimento sustentável exige muito mais precisão do que velocidade.
Cada nova unidade traz desafios próprios — de gestão, pessoas, operação e mercado local. Não existe fórmula única. Holthaus destaca que, em seu caso, foi fundamental pausar estrategicamente em alguns momentos para revisar processos, fortalecer a base operacional e garantir que a expansão estivesse sendo feita com intenção, não apenas por impulso.
No evento organizado pela CommUnit, o Somos Multi 2025, Dilson Caproni, multifranqueado da market4u, uma rede de minimercados autônomos, compartilhou algo semelhante. Para ele, uma questão-chave é saber pausar: “Na ânsia de não perder oportunidades, muitos seguem crescendo sem parar. Mas não é perder oportunidades, é controlar o risco da ruína. Um erro de fluxo de caixa em 15 lojas pode comprometer toda a operação.”
Procedimentos claros, sistemas operacionais bem definidos e um time comprometido com a unidade e com a marca são pré-requisitos para escalar com consistência. Sem isso, o crescimento tende a gerar mais complexidade do que resultado.
De funcionários a parceiros de negócio
Um dos erros mais comuns na expansão é o distanciamento da linha de frente. À medida que o negócio cresce, alguns franqueados passam a operar apenas de forma remota, perdendo contato com a realidade da loja.
Trabalhar ao lado do time, entender os desafios do atendimento, da operação e da rotina diária cria algo raro: confiança e empatia. Quando as pessoas percebem que seu trabalho importa e que fazem parte de algo maior, o engajamento aumenta — e o desempenho acompanha.
Transformar colaboradores em parceiros não significa necessariamente oferecer sociedade, mas sim propósito, clareza e oportunidades de desenvolvimento. Times que se sentem valorizados tendem a cuidar melhor da experiência do cliente e da marca como um todo.
A verdade difícil sobre cultura
Cultura não nasce de discursos nem de manuais. Em franquias, ela é construída todos os dias — principalmente pelo exemplo do franqueado.
Ao investir em uma marca já estabelecida, o empreendedor assume a responsabilidade de preservar aquele legado, mas também de criar sua própria identidade como líder. Transparência, humildade, consistência e presença são pilares dessa construção.
Segundo Holthaus, cultura forte é resultado de liderança diária: aparecer, comunicar com clareza, ouvir o time e manter padrões elevados. É esse comportamento contínuo que cria lealdade, senso de pertencimento e, no longo prazo, crescimento sustentável.
Franquias são, antes de tudo, um negócio de pessoas
No fim das contas, o franchising é um jogo de longo prazo — e não existe crescimento sustentável sem investir em gente. Atalhos podem até acelerar o início da jornada, mas cobram seu preço mais adiante.
Para franqueados e multifranqueados que desejam escalar com solidez, o recado é claro: coloque as pessoas no centro da estratégia. Liderar com intenção, cuidar da cultura e desenvolver equipes não apenas fortalece o negócio — muitas vezes, leva a resultados maiores do que aqueles imaginados no dia em que o contrato de franquia foi assinado.
Crescer além da marca é construir um legado que se sustenta no tempo.
Hábitos para adotar:
- Reserve tempo fixo na agenda para estar na operação: Mesmo com múltiplas unidades, esteja presente na loja, observe o atendimento, converse com o time e escute o cliente. Essa proximidade revela gargalos invisíveis nos relatórios e fortalece a confiança da equipe.
- Cresça somente quando a base estiver sólida: Antes de pensar na próxima unidade, revise processos, indicadores e pessoas das lojas atuais. Expansão sem padronização e sem time preparado tende a amplificar problemas — não resultados.
- Trate colaboradores como parte da estratégia, não apenas da execução: Compartilhe metas, explique decisões e mostre como o trabalho de cada um impacta o negócio. Pessoas engajadas cuidam melhor do cliente, da marca e dos resultados.
- Lidere pelo exemplo, todos os dias: Cultura não é discurso. É comportamento. Pontualidade, respeito, postura diante de problemas e coerência entre fala e prática moldam o padrão da operação e o nível de comprometimento do time.
Esse foi o Radar Franquias, da CommUnit!
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