– PARA GESTÃO
A maioria das franqueadoras exige que seus franqueados utilizem tecnologias específicas desde o primeiro dia — e é fundamental e necessário seguir essas diretrizes. Mas, no caso de multifranqueados, o investimento em tecnologia não se limita às plataformas que a franqueadora exige que você utilize.
Como multifranqueado, você também deve investir em outras soluções que facilitem a operação diária do negócio pela sua equipe. Dependendo do setor, dos canais de vendas e da fase de crescimento do negócio, também é importante incluir ferramentas para gestão de pessoas e outras funções de RH, finanças e relatórios, por exemplo.
Para Nadeem Bajwa, a necessidade de contratar tecnologia “extra” apareceu cedo. Quando chegou à segunda unidade, ele percebeu que, para continuar crescendo, precisaria encontrar maneiras de trabalhar com mais eficiência e reduzir a dependência de processos manuais.
A lógica é simples: o que funciona para duas lojas pode não funcionar para 20 — e certamente não será suficiente para 200.
Conforme a operação aumenta, também mudam as necessidades
Uma pequena empresa de multifranquias pode começar com planilhas, sistemas básicos de gestão e ferramentas de comunicação. Com mais unidades, entram em cena dashboards de indicadores, acompanhamento de desempenho das equipes, automação financeira, ferramentas de business intelligence e análises preditivas.
“Mas não se trata apenas de tecnologia; é também uma mentalidade”, alertou Nadeem. “Quando você administra seus primeiros restaurantes, você controla e gerencia tudo. Mas quando você contrata gerentes regionais, você precisa fazer a transição do gerenciamento do restaurante para o gerenciamento dos gerentes, e sua mentalidade precisa mudar. É por isso que você deve ter cuidado extra com a rapidez com que cresce. A tecnologia tem que estar presente, mas você também precisa estar presente mentalmente.”
Visibilidade em tempo real
Para Nadeem, que hoje administra quase 300 operações de franquias, um dos pontos mais importantes é conseguir enxergar o que está acontecendo em cada unidade em tempo real. Em uma operação de centenas de lojas, não é possível depender de visitas presenciais ou esperar o fechamento do mês para descobrir que alguma coisa saiu do planejado.
Como exemplo, ele citou o painel de controle da Papa Johns — rede da qual é franqueado —, que atualiza os dados a cada poucos minutos e permite monitorar o negócio como um todo ou cada unidade individualmente, a qualquer momento.
“Sou proprietário de quase 300 restaurantes em 12 estados e posso consultar a situação de qualquer loja a qualquer hora. Se, por algum motivo, uma loja não estiver aberta, recebo uma notificação automática.”
Uma solução “tudo em um” é melhor
Ele diz também que a tecnologia precisa ajudar a reduzir a complexidade. Em vez de acumular dezenas de sistemas diferentes, o ideal é buscar soluções que conversem entre si e concentrem informações. Quanto menos tempo a equipe gastar alimentando sistemas, procurando dados ou fazendo tarefas repetitivas, mais tempo poderá dedicar à operação.
Necessidade que vira inovação
Outro aprendizado que o empreendedor traz é que algumas das melhores soluções podem surgir das próprias dores do negócio.
Ao perceber que o custo e a complexidade da contabilidade aumentavam conforme sua rede crescia, ele criou uma empresa para resolver o problema. Durante a pandemia, fez o mesmo com o atendimento telefônico. A solução reduziu custos da operação e acabou se transformando em um negócio que passou a atender outros franqueados.
Tecnologia, para um multifranqueado, precisa resolver problemas concretos, gerar eficiência e, principalmente, permitir que o empresário ganhe escala sem aumentar a complexidade na mesma proporção.
Este será também um dos assuntos que estarão em pauta no Somos Multi 2026. Nadeem Bajwa estará no evento, assim como Aicha Bascaro, fundadora da American Franchise Academy, ao lado de mais de 40 painelistas. Será uma oportunidade para ouvir diretamente esses dois especialistas internacionais que acompanham de perto como tecnologia, gestão e dados estão mudando a forma de operar empresas de múltiplas unidades.
4 hábitos para adotar:
- Não olhe apenas para o faturamento: Crie uma rotina de acompanhamento de indicadores operacionais. Vendas são importantes, mas margem, produtividade, custos, turnover e desempenho por unidade podem revelar problemas antes que eles apareçam no resultado final.
- Identifique o trabalho que ainda depende de planilhas: Escolha um processo manual que consome tempo da equipe e avalie se ele pode ser automatizado. Não é preciso transformar toda a operação de uma vez. Começar por um gargalo já pode gerar ganhos significativos.
- Faça seus sistemas conversarem: Antes de contratar uma nova ferramenta, pergunte: ela se integra ao que já usamos? Mais tecnologia não significa necessariamente mais eficiência.
- Pense na operação que você quer ter daqui a três anos: A tecnologia escolhida hoje precisa ser capaz de acompanhar o crescimento amanhã. Antes de adotar uma solução, pense não apenas no número de lojas atual, mas no tamanho que a rede pretende alcançar.
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